.............................................................................................................o incomunicável...........................................................................................................



Este blog não pretende absolutamente nada, não tem nenhum compromisso com a verdade, não é um passatempo, não é um diário e nem parte de estudos ou reflexões profundas, nada disso, aliás, não tem razão de existir, mas existe mesmo assim, como a maioria das coisas.



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o primeiro amor passou.
o segundo amor passou.
o terceiro amor passou.
mas o coração continua. (drummond)





gfhjfjfgjhgjhgjgjhghghgkj

Domingo, Janeiro 29, 2012


quando entrei pelo portãozinho de ferro, já sabia que era ali que ia finalmente te encontrar. era um tempo seco, o jardim estava murcho e a terra vermelha invadia a cerâmica antiga do alpendre, subia pelas pilastras e fazia mãos e pés pequeninos nas paredes. para lá do muro baixo e encardido, através dos buracos num padrão de ampulhetas, viam-se passando as cabeças das crianças brincando no passeio, meus primos tiago e talita, ainda muito novinhos. vou te procurar. dou uma espiada pela porta e decido dar a volta à casa. atrás dela há um quintal delicioso com pés de mexerica e outras frutas, uma gangorra, um balanço de pneu e bem lá no fundo, um quartinho isolado e ainda sem o reboco, onde chego com atenção ao pisar o mato alto. o chão dele é de terra escura batida e não há nada além de uma cova rasa abaulada, bem no meio, muito lisa e aparentemente confortável, com um travesseiro e um cobertor pousados dentro, ao lado de uma carteira escolar dessas antigas e emendadas, sobre a qual descansa um caderno aberto, já todo escrito, o seu livro. neste momento ouço sua voz conversando com as crianças lá fora e vou ao seu encontro, mas no caminho a história se perde e eu me perco numa outra, sobre um pé de manga e muitos primos e recordações da roça do meu avô. apesar de estar ainda ali, vendo vocês coadjuvando, vou fazer e pensar outras coisas que infelizmente não grudam bem na memória. muitas coisas acontecem e não sei como, vou parar de novo no seu quartinho, com uma bacia cheia de outras coisas nas mãos e numa alegria absurda. então, você entra de repente e me apanha derramando, delicadamente, uma jarra de leite sobre o seu manuscrito.






querendo se incomunicar...

Domingo, Janeiro 22, 2012






pára.











querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012



não se preocupe, eu vou acreditar exatamente naquilo em que você quiser que eu acredite, sem esforço nenhum.






querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Janeiro 05, 2012


pronto, já tem você em mim para sempre, agora estamos livres.
podemos até fingir que não somos quem somos.
ou assumir.




querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Janeiro 04, 2012


um dia desses eu sonhei que nos salvava de um furacão. você era criança. a gente estava numa rua descida que dava no mar e deu pra ver direitinho qdo ele começou lá longe e veio rápido em nossa direção. eu saí te puxando pelo braço rua abaixo, até achar uma porta aberta para entrarmos. era a casa de um casal gay de meia idade, supersimpático. eu fiquei vendo o furacão passar pela janela e vc ficou interagindo com as pessoas. quando eu ia falar pra vc não incomoda-los, vc já estava deitada vendo tv com as pernas em cima das pernas de um dos moços, sossegadíssima. fui agradecer e pedir desculpas pela invasão e outro moço disse "tudo bem, você também é cristã, não é?". fiquei sem saber o que responder, mas vc fez que sim com a cabeça, por mim. o furacão foi perdendo a força e no fim caiu do céu um objeto enorme de metal que parecia um boné, daqueles com uma hélice em cima.





querendo se incomunicar...

Domingo, Janeiro 01, 2012


Feliz ano novo!

:)






querendo se incomunicar...

Sexta-feira, Dezembro 30, 2011








querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Dezembro 28, 2011


"Rudá, Rudá,
Iuáka pinaé
Amaña reçaiçu
Iuáka pinaé

Aiueté cunhã
Puxiuera oikó
Ne manuára ce recé
Quahá karuca pupé"




Assim seja.





querendo se incomunicar...


Faltou Paris nessa meia noite, para eu ficar imortal.
DeLoreans by Woody derreteram meu coração.





querendo se incomunicar...

Terça-feira, Dezembro 27, 2011




feijoada, pudim, häagen dasz, porto&maria, por 48 horas.

teve bom.







querendo se incomunicar...

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011


"(...) Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida (...)"




(Tabacaria, do Pessoa )



querendo se incomunicar...



eu não sei, mas eu aceito.

fazer o quê?...




querendo se incomunicar...

Domingo, Dezembro 25, 2011




jingle bells, jingle bells dentro do melão...

uma aspirina, pelamor.







querendo se incomunicar...

Sábado, Dezembro 24, 2011





FELIZ NATAL para quem é disso :)











querendo se incomunicar...


ali estão nossos ossos, duas caveiras formando uma terceira. ali está a continuação na forma mais absoluta. seu queixo sobre o meu. os dois sexos em um, à sorte. sombra do passado projetada no futuro. à frente, soma sob divisão. as curvas e as arestas do corpo, os acidentes da criação. os enganos, os exageros, as miopias. resultado de toda a educação. início e fim em potencial, se quiser acontecer.


querendo se incomunicar...







atenção. hoje só passa uma vez.













querendo se incomunicar...

Sexta-feira, Dezembro 23, 2011


véspera de véspera. saudade de não ter saudade. revivendo a expectativa do que já aconteceu, sonhando mudar o final, dissolver a dor que solidificou.

o que é banzo do natal diante disso...



2008 - tio múcio, na útima vez em que o vi, exatamente como vou vê-lo para sempre.




querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011


bordando flor na saudade para desentristecer


mastigar - graveola





querendo se incomunicar...

Segunda-feira, Dezembro 19, 2011


estou no deserto sozinha, morrendo de sede e de medo. para onde quer que eu olhe não vejo nada além de nada.
como se não bastasse, vou rolando pelo chão, feliz da vida, um diamante gigantesco que eu acabei de encontrar e não consigo carregar.

sonho diamante.


Sem Palavras - Wisnik





querendo se incomunicar...

Sábado, Dezembro 17, 2011




Já passou.







querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Dezembro 15, 2011


Enxerguei alucinada o que não vi lúcida. Eu não tenho mais recurso.
DeLorean, please.Um dia só, coisa pouca. Por favor.





querendo se incomunicar...

Terça-feira, Dezembro 13, 2011



acabei de descobrir:

eu SOU minúscula.






querendo se incomunicar...


aqui jaz, todos os dias, uma pessoa com amor dentro. um não invisível impede que tudo aconteça. o tempo passou assim, a vida fez-se. dentro de mim jaz teu desejo, desfeito em palavras incompreensíveis. não te ouço. nunca te ouvi. nunca quis entender com os ouvidos o que com o corpo eu preferia inventar. não tive um lar que me coubesse, nem uma escola em que aprendesse a ser mais do que eu poderia ser. e aqui jaz a escrita do que eu não soube escrever, junto com a voz que esganissa quando não se pode guardar e canta, assim mesmo, feia como a minha cara, como o meu corpo que já não consegue um ângulo aprazível. eu sou este monte. eu sou este enorme emaranhado de entraves e viéses, sem pai nem mãe. distante, fiz-me mais nada do que deveria e mole, não consigo reverte-me a outra altura do caminho. bacante de nascença, eu sigo guiada pelo teu cheiro, pela lembrança do teu gosto alcoólico e dos risos que eram de mim para mim mesma e não para ti. não te enganes, eu não posso mais que iludir. minhas pernas não são mais torno de enlace, perderam o tônus, estão bambas e só seguem ainda porque estão hipnotizadas, sem saber. amanhã é a única das fracas palavras que me movem. é para lá que eu vou insistente, insone e absurda, morrendo deste encontro que não vai acontecer.


querendo se incomunicar...



, como queira:

um dia acaba
até amanhã




3x




querendo se incomunicar...


no meu sonho é um lugar de colunas brancas, com alguns espaços meio alaranjados, algumas texturas no chão e nas poucas paredes, redes e samambaias penduradas, teto de cristal sobre as bandeirinhas de são joão, uma escada de três degraus de arquibancada acompanhando a curva da varanda, que adentra uma lagoa transparente com musguinhos verdes no fundo. casa de deuses, com vento e com sol.

no desejo é um lugar quentinho ou fresquinho conforme, algum vermelho, pastéis, boa cama, bom sofá, bons ares, cadeiras na cozinha cheia, poucas chaves, pouco precisar, poucas bugigangas, luz, café e paz.

na tristeza é atrás da porta do meio da casa da infância - aquela que tinha uma maçaneta de apertar com o polegar - no canto, junto com as vassouras ou debaixo da cama, abraçada na cachorra que salvou a minha vida.

na saudade é uma mesa de duzentas pessoas coloridas, com as bocas grandes e os olhos pequenos e a cantoria e a comida e as crianças e a cachaça e o amor.

no amor são lençóis mágicos que nos permitem respirar debaixo d'água, cobrindo as nossas caras rindo dos anos, sem culpa, engraçados e fundamentais, nos dias da nossa cor.

na verdade eu não sei, mas deve ser um casa completíssima, onde eu morro diariamente.





querendo se incomunicar...





eu sei bem dos lugares por onde a minha alma passeia
mas até hoje não saquei onde ela mora




(apresentação de ranchos folclóricos - porto, mai/11)





querendo se incomunicar...

Domingo, Dezembro 11, 2011


nós
desatando

desse desatino


querendo se incomunicar...


é dia de ouvir hinos. e "eu simplesmente não consigo parar."







"Penso que tu mesmo cresces
Quando te penso. E digo sem cerimônias
Que vives porque te penso.
Se acaso não te pensasse
Que fogo se avivaria não havendo lenha?
E se não houvesse boca
Por que o trigo cresceria?

Penso que o coração
Tem alimento na Idéia.
Teu alimento é uma serva
Que bem te serve à mão cheia.
Se tu dormes ela escreve
Acordes que te nomeiam.
Abre teus olhos, meu Deus,
Come de mim a tua fome.

Abre a tua boca. E grita este nome meu."



(Come de mim a tua fome - Hilda Hilst)




querendo se incomunicar...


o amor que eu sinto me sai pelos peitos. alimento um homem, uma mulher, um cão e uma criança, que entre si disputam-me, como filhotes. é primavera, percebo cheirando um vento de minúsculos grãos amarelos perfumados. vejo o céu num azul supersaturado, sem nenhuma nuvem. meu corpo está solto sobre uma montanha de algodão limpíssimo e afunda-se na brincadeira. sinto cócegas e rio muito alto, dou gargalhadas até chorar. penso que este é o dia mais feliz da minha vida.





querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Dezembro 08, 2011


a casa não caiu, não inundou, não pegou fogo. o meu lar não se desfez. não houve abandono. um pilar muito bruto sustentava tudo, aguentando firme as machadadas. quem foi que misturou tão denso este cimento? quem foi que trançou a malha de ferro inabalável desse núcleo? às vezes eu rezava por um terremoto, um tsunami, um furacão. às vezes eu cavava uma caverna e hibernava. às vezes eu fazia as malas de mentira, triste por querer tanto ir e triste por não estar indo de verdade, depois eu aceitava uma companhia, um cantoria, uma mão de balas, uma alegria, viesse de onde viesse, porque ser assim não era escolha, era condição.



querendo se incomunicar...


eu sinto a falta de tudo o que eu tenho. do que eu não tenho, sinto a presença.

não pode ser, mas dorme comigo perfeito, sem roubar cobertas. respira junto, sincronizadíssimo, as caras dentro, quase, uma da outra. se meus nãos têm sido mais reais que os meus sins, então, que realidade que eu devo defender? os sonhos noturnos têm-se espaçado cada vez mais, estão me deixando (sozinha?) e depois, talvez, eu não saiba o que fazer com mais essa lacuna. pouco me importa. foi uma impossibilidade que me trouxe a paz e o movimento de que precisava, mas não enxergava. senti-me bonita para ninguém. ri mais. quis mais. pensei. e não posso. ainda não. o ainda é um tempo sem medida, criancinha, que não aprendeu a se vestir sozinho. é um tempo meio perdido, carente de autoconhecimento, impossibilidade pura. o enquanto, ao contrário, é um presente pronto, vindo do futuro ou do passado ou de lugar nenhum, mas presente. e enquanto isso, eu vivo aqui, mezzo desperta, mezzo bêbada, cheirando o ar, uma mão acarinhando a outra, aqui e aí, habitando e habitada, preenchida de vontade e negação, absolutamente acompanhada e tranquila de que tudo se dissolve vida afora, até o que não pode ser.

ainda enquanto, até acabar.


querendo se incomunicar...



bença, çãozinha.







querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Dezembro 07, 2011



parece que as musicas dos outros vão me deixando com mais vontade de ouvir você me cantar. parece que eu lá vou ficando de um jeito cada vez mais difícil de sarar. e o pior é que eu estou gostando, ninando a febre, cobrindo direitinho pra ela não baixar. uma hora acabo sucumbindo desse incômodo viciante, dessa impossibilidade sem cura descoberta, que não importa a mais ninguém. enquanto isso, este instante e este copo secam, cigarro queima e sua voz sem beijo me chama, no meu sonho, de seu bem.








querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011


nadaconteceu. só dividindo a banheira com a garrafa de vinho, bebadarrependida, já de antemão. e desculpa. choradeira de boca aberta. "todo o sentimento" uma vez atrás da outra, igual adolescente. vou morrendo desse frio que, de alguma maneira, eu escolhi. parece até que o tempo voltou e eu ainda não aprendi nada nessa vida.




querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Novembro 30, 2011




"triste come un funerale a novembre, con la nebbia"


não, menos um pouco.
a caminho da imunidade, diria.






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Segunda-feira, Novembro 28, 2011


três e mais nada.




querendo se incomunicar...

Sexta-feira, Novembro 25, 2011



sorry!
:)

embora seja difícil para mim também





querendo se incomunicar...

Quarta-feira, Novembro 23, 2011


samba no divã


...e chegando à conclusão de que a vida nem dura até amanhã
o meu complexo de cinderela comeu a sua síndrome de peter pan



querendo se incomunicar...


mais um


não sei se estou a subir ou a descer, sozinha, dentro de um elevador semicircular, todo metálico, hermeticamente perfeito. a viagem demora algum tempo e me distraio vendo as formas estranhas que crio nas paredes ao me movimentar, ao som da voz do milton nascimento em uma música muita calma que não reconheço. suavemente, o elevador pára e abre-se uma porta onde não havia nenhuma abertura. saio em uma espécie de laboratório, sem janelas, onde há vários animais soltos, com aspecto saudável, em cujas peles e carnes há partes transparentes que deixam ver os órgãos. brinco um pouco com uma cabra branca muito dócil e vou explorar o ambiente. não há ninguém além de mim e dos bichos. no fundo do cômodo há uma pequena banca de cozinha, com eletrodomésticos, alguns copos, pratos, talheres, um balcão e uma cadeira. abro um microondas e encontro um pacote de pipocas já estouradas e frias. resolvo comê-las, mas antes quero reaquecê-las um pouco. aperto um botão para ligar o aparelho e, em vez do barulho comum de microondas trabalhando, ouço a música de ano novo da rede globo.







querendo se incomunicar...

Domingo, Novembro 20, 2011


essa noite faço uma visita a um mundo que se transformou enquanto não estava perto. a rua por onde passo já fora um rio, sei, assim como outras duas abaixo, águas contíguas daquelas que posso ver, paralelas e finas, mais adiante. há uma casa das paredes brancas e grossas, onde não entro por não me trazer nenhuma recordação, mas para além do pátio em mosaico, me chama o quarto dos fundos. o meu quarto, a minha cama, a minha cômoda e aquele frio inesquecível, que eu achava que era meu, mas vejo agora que não. numa das gavetas de cima, dentro uma caixinha de madeira, entre outras bugigangas, reencontro um anel de estimação, perdido há muito, inclusive na memória. meio o reconheço e meio o invento ali na hora. está bonito, mais escuro que antes, acho, mas ainda cabe perfeitinho no meu anelar direito e, por isso, ganha um beijo.




querendo se incomunicar...

Sexta-feira, Novembro 18, 2011


"Fechando e abrindo a geladeira a noite inteira."

a pior doença é o hábito.



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Quinta-feira, Novembro 17, 2011


sorry.






if



um grito condensado, quase palpável, um grito tão longo quanto a minha viagem, um grito feito com todos os meus silêncios, dos mais profundos aos presos na boca, um grito em linha reta, furando chão, atravessando as roupas no guarda-roupa e o pedaço de mundo que há daqui até aí, onde o podes ouvir, engulo.






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Quarta-feira, Novembro 16, 2011




se aqui e lá há lacunas
umãpe xe raperana





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Terça-feira, Novembro 15, 2011


não importa a distância. a rotina tem uma pontaria filha da puta.
para onde quer que ela aponte é estrago, na certa.

remédio para laiá laaaaaaaa é não dormir
ou gastar as unhas.


querendo se incomunicar...




toda vida é inventada.as pessoas me fazem bem. a astróloga tinha razão. eu sou alguém de muita sorte, apesar de ser quem sou. meu ascendente é escorpião, a lua é libra. a liberdade é uma coisa da qual quase chego perto, algumas vezes, como todos. há pouco ou nenhum engodo que me fazem engolir, mas essa esquisitice tem um preço alto. eu tenho um olho de cada cor. para mim, o amor é redenção de todos os pecados, mas não consigo praticar religião. sou indoutrinável e infiel, mas sei amar, penso que como muito poucos, divinamente. meu corpo não sou eu. meu nome não sou eu. meu rosto não sou eu. o mundo muda muito ao meu redor, mas eu mudo pouco e devagar. eu tento estar alerta, prevendo o terremoto ou a tempestade e apesar de saber que não adianta, não estou preparada para aceitar. aliás, não estou preparada para nada e vivo entre a alegria e a escuridão, todos os dias. e à noite deus me cura, sem querer, pela televisão.




querendo se incomunicar...

Segunda-feira, Novembro 14, 2011


Nada!




O barco
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto nada
Navegar é preciso
Viver não é preciso
O barco
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio
Navegar é preciso
Viver não é preciso.




(os argonautas, do caetano)



querendo se incomunicar...

Domingo, Novembro 13, 2011


pai nosso


(porto - 2008)

então deixaste, com ternura, de falar. assim, acredito, impediste sabiamente umas palavras bestas de incomodar o amor que é vivo e não precisa ansiar. abandonaste-me dos conselhos e dos pedidos deles, todos tolos, querendo parecer os mesmos. agora vives a vida que é sua e eu não sei. e o tempo que é nosso não passa. por baixo da ponte há sempre água, como dentro de nós. e sabemos (quem sabe?), um dia brindaremos novamente, como irmãos da vida e da morte.





querendo se incomunicar...

Sábado, Novembro 12, 2011


casa da conselheiro, para variar.
por baixo da porta chega uma carta com meu nome escrito em triângulos. abro-a e vejo mais signos estranhos, meio hieroglíficos, de onde consigo traduzir uma mensagem dizendo que terei que perder uma parte do meu corpo. sinto medo, mas como não compreendo bem o que isso quer dizer, vou perguntar ao meu pai. ele me diz que é uma coisa do governo, que eu tenho que lhes responder dizendo que parte que eu prefiro perder. "mas sou eu que escolho?" berro, histérica, daqui para lá.
e escolho acordar.





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Sexta-feira, Novembro 11, 2011


!!-!!-!!

e daí?






os mesmos 8.929km, mais nada.





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Quinta-feira, Novembro 10, 2011


era um cômodo quase quadrado, revestido de cerâmica lisa, cor de caramelo. não se podia adivinhar o resto da casa, mas os volumes cúbicos coloridos nos cantos das paredes - como peças de lego gigantes - sugeriam uma casa em reformas. perto de um desses cantos, do teto pendia um chuveiro elétrico e mais nada. era um cômodo grande e vazio demais para o banho que você insistia em tomar e a sensação era de que havia sempre alguém a nos observar. lá fora, por uma janela que era apenas um espaço sem de tijolos, sem vidro nem esquadrias, via-se o dia virar noite com rapidez. cedemos, eu e a luz, mas não me sentia muito bem, apesar da vontade que tinha tão forte de matar essas saudades. durante algum tempo ainda estive ali, entregue, entre paixão e frio, no assoalho molhado, onde a água que escorria gelava rápido a pele e anestesiava os dedos dos pés, mas não pude por muito tempo. e, já de pé, diante do seu aborrecimento quase agressivo, pus-me triste e calmamente a explicar-lhe que aquilo não podia ser bom.






querendo se incomunicar...

Terça-feira, Novembro 08, 2011


“isso é o rio, meu filho, que terás de atravessar” disseste-me diante daquela imensidão de água, que agora sei ser um lago(, pai. e sou). diante daquele volume líquido com vida bem sólida dentro e nem tanto na superfície, viajei em pensamento tantas vezes, do outro lado, a buscar-te e os passeios e os cavalos, a cantoria e o fogo. enganaste-me. enganaste-te. não era sempre a correr. não bastava o querer para estamos juntos. não era sem fim. e hoje, deixo-te aqui, como deixaste-me lá, neste charco que a chuva embebeda ainda mais. mal a terra pode com a pá. mal os homens podem contigo, a endireitar-te no buraco. a água é tanta. são tantas águas as que não podes ver. sua face sem perguntas pergunta-me e sem enganos, olhos fixos na margem, respondo: “isso é o rio, meu pai, boa viagem.”







querendo se incomunicar...

Terça-feira, Novembro 01, 2011


14°C
Parcialmente nublado
Vento: S a 19 km/h
Humidade: 77%



caboclo, toma tento, que seu intento ainda dá pro torto. caboclo, pega nela com as mãos, com os pés, com as pernas, tira a moça da janela da desilusão. pra quê que foram inventar o avião? e essa lonjura? caboclo, jura que não some mais e não. sai dessa toada torta. sai por essa porta e não pára mais até chegar no primeiro andar daquele edifício verde de esquina. caboclo, pega sua menina e dá pra ela o que é dela.




querendo se incomunicar...


mais uma vez...

"meu coração tá batendo como quem diz:
-não tem jeito
."




Amor, precisa uma tarde
tarde promete descanso
que nada, tudo descamba sem querer
remorsos rondam a cama
solidão, psicodrama
conversa pra boi dormir
é só eu que tô sem você
amor, lá se foi a tarde
nas brechas da persiana
início de fim de semana
fobia e lazer
morbidance, unha roída,
poesia dolorida
a tarde pede a noite
pra escurecer

a noite já vem com pizza
com sirene de polícia
essa casa faz qualquer um enlouquecer
paredes pedem relento
agonias pedem vento
pular do primeiro andar
não vai resolver
é por isso que eu danço tanto
meu samba pede avenidas
as aparências tem mais que aparecer
alegorias me enganem
meus sapatos que se danem
coversa pra boi dormir
tudo é só porque
eu tô sem voce



querendo se incomunicar...


nº1,

depois que esmaga fica leve.







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Segunda-feira, Outubro 31, 2011




ardendo na fogueira


vontade de ser feliz é felicidade :)





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Sexta-feira, Outubro 28, 2011


curtindo o couro





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Quinta-feira, Outubro 27, 2011


a pele a arrebentar







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Domingo, Outubro 23, 2011


visita

sinto seu cheiro e vejo

seu corpo flácido de anjo gigante

numa nudez de ares tão distantes

à minha frente e não posso tocar

me resta lembrar

seu fantasma me assola na cozinha

me faz uma sopa de abóbora

um pão com queijo

um chá

mas não come comigo

com febre, com gripe, deliro

vem você me cuida

me canta e me nina

para eu sarar

e nunca mais vem me buscar

me resta lembrar





querendo se incomunicar...

Sábado, Outubro 22, 2011


toda exatidão é um equívoco
.
.
.
.
.
.
.
.

estou numa ilha que fica cada vez menor, banhada por dois oceanos, dois quais desconheço a profundidade e a extensão.
a qualquer momento, forçosamente, tenho que me lançar para um dos lados, sem terra firme para onde voltar.
ou me afogo ou encontro atlântida.





querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Outubro 20, 2011








mudei













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Segunda-feira, Outubro 17, 2011


(a somar com as minhas )

umas incoerências me dão vontade de vomitar

parece até que eu que tô no mar





querendo se incomunicar...


mãe é um desejo antes de tudo. mãe é um desejo de ganhar mais vida, dispondo dela pré, pós ou sem parto. mãe é um bem feito em 10 segundos ou em 50 anos. mãe são inconfundíveis olhos de mãe, um doce guardado longe da boca. mãe acontece de repente, com qualquer um que tenha mãe dentro. mãe não tem gênero e independe de espécie, de qualquer espécie. mãe não é porque todas são, mas tudo o que é mãe, é - sozinho e deus, como todo mundo. mãe é um passo certo, para perto ou para nunca. mãe não é eterno. mãe só existe por querer-se muito. mãe, sem querer nunca há. mãe é um evento raríssimo, apesar da palavra. mãe há tanto, tanto, tanto sem dizer. mãe não se chama. mãe pode ser qualquer coisa que vá e seja. mãe não é para todos, quem dera a todos. mãe é um elogio da evolução. mãe não é o princípio da vida, é o sentido, em qualquer sentido. mãe desaparece de repente. mãe não quer porque concluiu que assim era bom. mãe não é nome e nem título. mãe não tem nada a ver com planejamento, nascimento ou coabitação. mãe não é quem cria, ausência cria também, mãe é muito mais. mãe não tem culpa se não for. mãe-que-não-é, não é e nem tem que ter que ser. mãe é irrecusável para quem é ou tem. mãe é uma leveza dentro de uma brutalidade. mãe é um ser livre como ninguém.



querendo se incomunicar...




solidão é um lugar qualquer. pode ser aí.







querendo se incomunicar...

Terça-feira, Outubro 11, 2011









um centavo












querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Outubro 06, 2011











saudade mudou de nome






















querendo se incomunicar...

Terça-feira, Outubro 04, 2011





aí deu.


do lado de fora da palavra dentro

a palavra dentro é bela, mas eu não estou dentro dela. como posso caber? amana é lindo, é meu nome, mas não sou eu. as palavras encantaram os homens, para quem o silêncio se tornou veneno. nenhuma alma suportaria a extinção total das palavras. mas o corpo aguentaria, firme, fora de controle, sonhando cores e formas e vidas sem lhes dar nomes. a humanidade teria que, lentamente, redespertar seu ânima, redescobrir um mundo já construído, mas sem nenhum valor identificado pelo senso comum. o primeiro sentimento teria que ser sentido de novo e seria, por todos, ao mesmo tempo. e a primeira comunicação surgiria, mas no silêncio. desenvolveríamos a visão, o tato se tornaria mais mais sensível e cada vez mais, através dos milênios, bilênios... até ficarmos cegos e anestesiados.





querendo se incomunicar...

Segunda-feira, Outubro 03, 2011


9:44 e eu estou na cama, de segunda feira. não tem fim. há quatro anos, não há conceito que se sustente, estou me desintegrando. resumindo: um amontoado de definições, que podem ser quaisquer umas, para serem desfeitas. e são. verdade é essa, que não é, nunca. foda.

desconstruídas as bases,
lá se vão as regras para o escambau e a vida é boa porque é, de qualquer jeito. casa vira acampamento. amor, sem compromisso, acontece em horário comercial, sobre os móveis, no quintal. aparência quer, cada vez menos, ver-se na rua.

caverna urbana ressurge num dia rachado de sol.






querendo se incomunicar...

Sexta-feira, Setembro 30, 2011


De repente, estou aqui duvidando do que eu sinto, desacreditando. Pode ser que seja mesmo necessário secar um pouco, para enxergar no enxuto o que é isso e aquilo outro, para perceber o que há de ser regado e o que não. Hoje é aniversário do pai e estou feliz há três dias por causa do que hoje é. Eu sinto um amor violento, que eu quero leve, mas não consigo.

Aí dói, pai, bate mais não. Aí, eu não te chamo de senhor, embora seja o meu senhor e não te chamo de amigo, embora seja o meu amigo. Eu te chamo de Pai, como se este fosse seu nome desde que nasceu. Você podia ter fugido e ficou, duvidando dos sentimentos, talvez, enxugando-os para vê-los bem, talvez. E o meu medo impotente que podia, se fizesse o favor, ter-se ido, fincou pé há anos, de não te querer deixar ir a lado nenhum. Bobagem. Ele estaria, mesmo que se fosse, assim como você.

Eu ouvi agorinha a voz do meu pai rindo pra mim, contando dos cachorros, que tirou o filhote único de uma para dar a outra que tinha já tantos, só pra ver.

Violência vai chegar e não há nada que eu possa fazer.




querendo se incomunicar...


deus
atado no meio de nós






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Quarta-feira, Setembro 28, 2011


os manos

eles continuam pelados.
eles todos sonham.
eles esfolam as pontas pelo menos uma vez.
eles dormem encolhidos às vezes, ou sempre.
eles amam suas mães, mesmo que não.
eles têm medo de morrer.
eles se desconsertam.
eles cantam no banho.
eles querem cachorro.
eles mamam.
eles matam.
eles mordem.
eles gostam de crocante.
eles se desconectam.
eles rezam, até sem querer.
eles vão, sem saber para onde.
eles se vão.
eles são todos um, mas pra cada um, um não.



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Sábado, Setembro 03, 2011




"pregue um prego aqui" .

eu sou uma mulher apaixonada por um homem e tudo o que isso traz. eu sou uma mulher ouvindo músicas instrumentais o dia todo. nenhuma palavra. nenhum cabimento. nenhum espaço a ser preenchido, a não ser pelos sons do que você já faz aqui, dentro.






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Sexta-feira, Setembro 02, 2011




eu
estou no meio de deus





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sonho de outra noite (de verão)

três pássaros que não existem comendo quase na minha mão.




querendo se incomunicar...


correndo o risco de parecer quem sou

eu tinha quase oito anos quando ela chegou. nunca vou esquecer. era de tarde, outra tarde emburrada e deslocada naquela realidade nova, irremediável e incompreensível. foi um riso muito maior do que eu sabia que sabia dar, só que para dentro. respirei aliviada e feliz pelo retorno de alguma paz e depositei ali uma esperança maior do que todo o sentido da palavra, que eu ainda nem terminei de entender. dei o nome de catuxa, que era o nome da paquita recém chegada, realizadora do sonho obrigatório de toda menina da época: ser bonita, gostosa, oxigenada, ditar moda e dançar com a xuxa na televisão, tudo o que não tinha absolutamente nada a ver com a minha realidade. eu não tinha nada disso e nem próximo do que tinham as meninas sonhadoras por obrigação ou gosto da época, mas eu tinha um cão, aliás, uma cadelinha bacê só minha. minha companhia, minha salvação. minha, toda minha. a catuxa foi um presente pensado, uma compensação, um prêmio de consolação que de fato me consolou como ninguém mais no mundo seria capaz. tudo o que eu queria era estar com ela e em paz. durante muito tempo, ela ainda filhote, eu punha o colchão fino debaixo da cama e lá nós dormíamos tardes inteiras. falávamos. contava meu dia e todas as histórias inventadas, ela simplesmente acreditava. eu achava graça dela perdendo os dentinhos de leite. ela me mordia, eu revidava. ela estava ali para mim e eu era imensamente grata. não havia nada, nem ninguém no mundo mais importante. ela era a minha família, a minha saudade, a minha compaixão, a minha reconexão, a minha humanidade. eu não precisava que ninguém entendesse, eu não precisava que ninguém soubesse o que nem eu mesma sabia, assim, com palavras. eu era feliz por sentir confiança, lealdade, afeto e incondição. eu transferi para ela, por merecimento e por devoção, todo o amor que eu tinha no peito, recolhido pela inadaptação.

não importa para que lado, o amor tem mesmo que vazar. amor que não vaza é veneno, dos piores. e é por isso que não tenho dúvidas ao contar que o que eu sentia era gratidão pela vida salva. a catuxa "salvou" minha vida na sua ignorância e tolerância animal, mas no meu entendimento, que não tinha oito anos e depois fez 9, 12, 13, 16 com ela por perto, isso não tinha a menor importância, pois nada careceu, nunca, de raciocínio ou explicação. era uma coisa tão minha e, para mim, tão óbvia, que eu jamais precisaria explicar ou defender. e ninguém jamais mudaria o que quer que fosse, pois não era do interesse de ninguém, não tinha serventia para ninguém, ninguém queria. eu podia estar tranquila e estava. sobretudo, porque ninguém ousaria tocar nesta parte tão densa de mim que estava ali, vazando, para não me sufocar.



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Segunda-feira, Agosto 29, 2011


os tímidos
mal podem esperar pelo dia em que serão arrogantes
e se tornarão uns bobos muito mais bobos que antes





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Sexta-feira, Agosto 26, 2011


morfina, sff.





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Quarta-feira, Agosto 17, 2011


em ajuntamento






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Sexta-feira, Julho 29, 2011


em apartamento



querendo se incomunicar...


é filme, é...
tenho que parar de assistir essas coisas.





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Segunda-feira, Julho 25, 2011



cianotipia

ficou
um coração azul impresso
por contato, luz do sol e química
no meu







querendo se incomunicar...

Domingo, Julho 24, 2011


um adeus de papel

a nau já no compasso
e meu cansaço de timão

minhas mãos ao pé do céu

para ir, seu abraço
para voltar, avião




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sonhoposição:
justapoesia.



querendo se incomunicar...


Meu tio, de repente, no meio de uma confusão de gente desconhecida, apareceu e disse: "olá, garota". Mas antes dele abrir os braços eu já havia desabado e agarrado em suas pernas, com minhas pernas e braços, no sentimento mais inexplicável desse mundo. Mas não demorou uns segundos para ele me reerguer, junto ao seu corpo. Então o seu rosto não era mais seu rosto, agora era um que usava vários óculos escuros, uns sobre os outros. Enxergando mal por causa das lágrimas, fui logo lhe tirando o primeiro, depois o segundo e ficaram apenas uns de lentes verdes transparentes que não se precisavam tirar para eu ter a certeza de que não era mesmo ele. "Eu sou o Madrugada", disse o homem, que ao contrário do meu tio franzino e loirinho, era negro, forte e exibia uma barba crespa muito cheia. Chorei pouco, um choro congestionado, mas a necessidade era de chorar muito, então eu gania feito um cachorro. Procurei desesperada um conhecido no meio daqueles estranhos todos e vindo no meio de uma leva deles, vi a carinha da Tia Marilda, que cedeu um abraço imediato para eu contar que o Tio Múcio veio me ver, pela primeira vez, mas não ficou nem um minuto.


Só depois que eu acordei e mais calma é que pude reparar como ele estava bonito e em paz.
Acho que ele veio me contar que já sarou.

E viu que eu ainda não.







querendo se incomunicar...

Sábado, Julho 23, 2011


justaposição:
sonhopoesia.





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Sexta-feira, Julho 22, 2011



Tudo
o que tenho
é seu


você consegue ler o que está escrito aqui?

então leia de novo.

e mais duas vezes.





querendo se incomunicar...

Domingo, Julho 17, 2011


saudade que dá do meu brejo
meu brejo não tem solidão

uma cachaça, um rebate
um reconhecimento
umas minhocas sempre há
e os alevinos a nadar
na linha d'água

na sombra e sem vento
tem meu avô, meu tio
minha tia, minha prima
e meu cachorro
felizes, despertos
em paz e sãos

no meu brejo
não é obrigado a pescar
nem cantar, nem falar
nem calar se não quiser
no meu brejo
não se é obrigado a nada

quem inventou foi meu pai
no pensamento
mas só quem põe as mãos
é minha mãe

não seca no inverno
nem alaga no verão
meu brejo é imune
ao fim dos tempos
e outros afastamentos

meu brejo é um sim maior
que qualquer que seja o não



querendo se incomunicar...


por cima de mim passa o tempo feito um trator, mas um trator de mentira. hoje eu não vou repetir, direito meu. só hoje não vou olhar para este sempre como um prato feito. só hoje, do lado esquerdo sou eu quem vou ouvir teu movimento. passa. podes passar. o peito está aberto. embora não haja um túnel para facilitar, tu, com cuidado vais afastar com os dedos, vê lá, não com os cotovelos, os órgãos vitais para poderes entrar. e depois que teu corpo couber, confortável e satisfeito, decides se queres mesmo terminar de atravessar. por mim, podes ficar o tempo que quiseres. mas tens que perceber que este tempo não está lá.





querendo se incomunicar...

Segunda-feira, Julho 11, 2011







querendo se incomunicar...



Era uma vez a porta do seu apartamento, mas nós não a abrimos, como na última vez. Nem ousamos tocá-la, porque sabíamos que seria a última vez. Então ficamos lá, simplesmente, igualmente sem saber o que fazer, como antes. Apenas sentamo-nos, os três, no sofá e não falamos. Com tempo, deu fome, vontade de ouvir música, vontade de cantar, vontade de amor. Os desejos foram chegando, aconchegando e até que enfim, o fim que estava a mais e levantou-se nos deixou.


querendo se incomunicar...


dentro de uma casa sinto-me perdida. olho em volta e sei exatamente onde estou, mas ainda assim estou perdida. vejo umas almofadas grandes no chão que me lembram outras de minha infância, espalhadas pelos tapetes de muitas casas familiares. estampada em meio a um arbusto há uma cara de onça, cujos olhos parecem me acompanhar, uma paisagem andina com lhamas e camponeses quadriculados, uma mandala, uma ovelha, um palhaço. deito-me nelas de barriga para cima e no teto, exatamente sobre mim, há uma porta da qual pende uma argola grossa de metal enferrujado. cochilo levemente e quase sonhando, vou pensando o resto da casa, que são pedaços de outros lugares conhecidos. enrosco-me numa cortina que envolve meu pensamento em sua repetição floral. estico os braços e consigo agarrar-me ao penduricalho da corda que a enlaça e prende à parede e tem o formato de uma couve-flor. estou de volta ao meu repouso nas almofadas com os olhos semiabertos. ouço então um barulho e vejo balançar a argola da porta sobre meu corpo. concluo que há mesmo um andar acima, com outras pessoas a fazer outras coisas. haverá ainda outros acima deste? pergunto-me. neste momento, sinto o chão e as almofadas sob minhas costas se moverem. devagar, viro-me de lado, com a insegurança de quem está prestes a despencar e descubro estar deitada também sobre uma porta que ameaça abrir ao mínimo movimento. e abre.






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Domingo, Julho 10, 2011



em princípio de overdose.




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Sexta-feira, Julho 08, 2011


=)

falar de dor sorrindo é melhor do que chorando.




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Quinta-feira, Julho 07, 2011


seja como for, pai, vai ficar tudo bem.

àquilo contra o que não pude, no início, lutar, por questão de sobrevivência habituei-me.

do hábito, passou ao gosto; do gosto, passou ao vício; deste vício fiz-me o que sou.

se for para brigar agora, já não sei de que lado estou.








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Quarta-feira, Junho 29, 2011


faltaram-nos as vísceras de alguém para comer
como tiveram as minhas

o medo que nos une e que nos cerca
comeu-as todas, tadinhas, séculos atrás







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Terça-feira, Junho 28, 2011


hoje já foi, agora já era.
cada dia é outra bala na cabeça.






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Quinta-feira, Junho 23, 2011


"são joão, são joão, acende a fogueira no meu coração"

e venha por mais lenha, itamar assumpção.







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Quarta-feira, Junho 22, 2011


era a minha casa da conselheiro, mais especificamente, o minúsculo espaço entre a porta cinza do banheiro, ainda antes da primeira reforma e a porta de saída para o terreiro. estão ali dois sofás de dois lugares, um de frente para o outro. de costas para a saída estão sentados o sr. luis e o sr. nuno, dois dos mais distintos e engravatados cavalheiros frequentadores do slávia café, aqui no porto. muito contidos, pernas cruzadas, expressão de simpatia e encabulamento, nenhuma palavra. meu pai está meio tonto, só de bermuda, deitado atravessado no outro sofá, murmurando alguma coisa. eu, aparentando uns 7 anos de idade, chego e deito atrás do meu pai. ele fica incomodado e começa a me apertar contra o encosto para eu sair dali, depois desiste e se levanta de repente, me fazendo rolar pelo assento. damo-nos conta de que seus murmúrios são de reclamação por minha mãe estar agora comprometida com outra pessoa que vive ali, na mesma casa que nós. é um jovem cheio de piercings faciais pontiagudos, cujo rosto me lembra o protagonista do laranja mecânica. meu pai o vê e fica bravo, vai até nossa cozinha original e, chamando pelos senhores, arrasta a geladeira azul para mostrar que ali debaixo o piso de cerâmica é diferente, embora o padrão seja parecido. e com seu vocabulário de bacharel em direito semi-bêbado, expõe aos digníssimos que o tal rapaz chegar, se acomodar, mas não tratar desses assuntos, não pode ser, isso não. os senhores concordam vivamente e, aproveitando a distração do meu pai com o recheio da geladeira, despedem-se rapidamente e vão-se embora. durante todo o sonho há alguém tomando banho.







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Sexta-feira, Junho 17, 2011


pô, ema...

fala sério. porque é que tem que falar desse jeito? porque flor? já lemos tudo isso antes e sabemos, não é assim. porque se enganar até hoje? é cegueira isso, é? ou será que não sabe ler? ooooh, um poemanalfabeto, pobrezinho. não houve quem lhe ensinasse, não foi? não houve quem lhe batesse de cinto até que quase se mijasse, pois não? não houve siso, nem dor, extirpação, nada. não houve aquele cretino, nem aquele tarado, nem o embromador. mas e os grandes nomes da Literatura, rasgando o eu até o último fiapo? isso tudo já foi, não leu? ah, desculpe, esqueci. e o sarcasmo? e o cinismo? e a vingança? e a luxúria? e o demônio, homem de deus, heim!? não houve a febre, não é mesmo? e aquela bunda? equela que você nunca amou e jamais esqueceu. seja honesto! onde está o rasgo? mostre de uma vez! você sabe exatamente, incluindo os centavos, quanto dinheiro há na sua carteira, não sabe? já faz hoje as contas para o fim do mês que vem, não faz? sonha com montanhas de besteiras, fica pensando em melhorar o visu. não pratica amor todos os dias, mas a vaidade está lá, estalando, em cada passo. e quando enche o peito e diz flor é como se tivesse mesmo nascido uma em seu peito especial. fala sério, poema, fala sério.



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Domingo, Junho 12, 2011



O dia todo cheirando flor



Parabéns, Vó Zezé!
Seja muito feliz!



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Sábado, Junho 11, 2011


amanhã

aniversário de morte
aniversário de vida
e festa no clube
dos dirigentes lojistas






mãe, eu tive um pesadelo bom. não era o fim do mundo, porque não chegou ao fim, mas era uma ventania de fim de mundo. todos esperávamos a queda do avião supersônico que decolara há pouco na televisão. eu estava numa piscina junto de outras meninas, boiando e conversando numa tarde cinza, numa água morna e cinza, que ficava a meio do caminho em uma montanha de cimento. as pessoas que passavam vinham para água conosco, ficavam até o pescoço e nós afundávamo-lhes as cabeças olhando-as nos olhos, achando aquilo bonito, reparando profundo no que a água fazia à cara de cada um. logo já éramos muitos, batizando-nos uns aos outros. o caminho cinza ia dar à casa onde havia a nossa festa. estávamos todos lá. quando começou a ventar assustamo-nos e debandamos, meu pai então disse, daquele jeito, "nãããooo, sô, isso né nada não". então eu pulei na água de volta, pensado ser um lugar seguro, mas você me mandou sair imediatamente. ficamos por último e porta dentro procuramos rápido onde ficar, que a ventania já se aproximava. achamos um pequeno armário embutido, logo na entrada. e foi a conta de te empurrar para o canto, passar o trinco na porta de madeirinha prensada e o vento se enfiar violento por cada frestinha tentando nos levar. mas eu não tinha medo, mãe. eu amava estar ali apertadinha em você, arranjando um jeito de te proteger, mas no fundo esperava aflita minha hora de voar.


querendo se incomunicar...


por um lado, não sei se preciso, por outro, não sei se mereço.
portanto, não vou querer, nem vou pedir, por enquanto.
perdão, mas não vou.







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Sexta-feira, Junho 10, 2011


é, pai...

nada como ter os olhos brilhantes como os de quem ainda vai ganhar na loteria, já tendo ganho tão mais, sem a mínima chance de vir, um dia, a estampar um apático e patético sorriso do milhão, ostentando do quanto se valeu.

a história vale e brilha muito mais.

seus olhinhos, com tudo dentro, estão aqui, nos meus.

e os dela, os dele, com tudo dentro, nos seus.








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Terça-feira, Junho 07, 2011


uma mecha de cabelo me atrapalhando e sua mão, no lugar da minha, me vem arranjar deixando um cheiro do seu cheiro e a sensação breve do toque sem querer do seu braço no meu rosto.

fecho os olhos para chegar mais tarde à realidade da distância, de todas as distâncias que impossibilitam, para os meus cabelos, suas mãos. não adianta nada.

em menos de um instante, este instante acaba.





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Segunda-feira, Maio 30, 2011


e daí, né?





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Segunda-feira, Maio 09, 2011








"Tudo é côco"- disse Pandeiro, no ritmo.

Contudo, cada tudo é um, na boca de cada um.










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Domingo, Maio 08, 2011




conheço muito bem isso de carneiros e leões na mesma família.



feliz dia das mães, mãe =)



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cantando pra saudade que eu tô do meu irmão









Vô cantá no canturi primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
Eu falo séro e num é vadiage
E pra você qui agora está mi ôvino
Juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o qui eu digo
Si fô mintira mi manda um castigo

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não

Cantadô di trovas i martelo
Di gabinete, lijêra i moirão
Ai cantadô já curri o mundo intêro
Já inté cantei nas portas di um castelo
Dum rei qui si chamava di Juão
Pode acriditá meu companhêro
Dispois di tê cantado u dia intêro
o rei mi disse fica, eu disse não

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não

Si eu tivesse di vivê obrigado
um dia inantes dêsse dia eu morro
Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no Livro Sagrado
qui a vida nessa terra é u'a passage
E cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui
derna a mudernage
eu trago bem dent'do
coração guardado

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não

Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tud'tê
mais só dispois di pená pelas istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão u Lôvado-seja
i o malassombro das casa abandonada
côro di cego nas porta das igreja
i o êrmo da solidão das istrada

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não

Pispiano tudo du cumêço
eu vô mostrá como faiz o pachola
qui inforca u pescoço da viola
rivira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tustão na cuia u cantadô
canta inté morrê o bem do amô.

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não



(O Violeiro - Elomar)





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Sábado, Maio 07, 2011



rio

o teto de palha e os pinduricalhos, meus pés nas cordas da rede, meu pés no chão de terra, as mãos sobre os joelhos. seus olhos nos meus embaçados, seu silêncio atravessado na palavra, o dia lá fora da porta. meus olhos dentro do dia, a aldeia, os meninos, as mulheres, os paus de fazer tudo, as pedras, os troços. o fim da clareira na linha do mato, a trilha, a selva, o encerramento, os galhos batendo nos ombros, a sede. um barulho, outro, o ar entrando, o vigor, as costas estalando, o barranco. os pés no charco, a pele fresca, a linha d'agua barrenta, o corpo dentro do corpo. água mais água no desgosto do frio. consolo, conforto, aconchego. a correnteza, o deslize, a força e o pensamento firmes, os músculos querendo brigar com o que só sabe ceder. vem uma folha, cede. vem um toco, cede. um pensamento depois do outro, que cedem. um fundo que não sabe chegar, que não sabe contar se é para cima ou para baixo. e braços e pernas e braços e pernas e braços e pernas, até não serem mais.



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sofrendo de artismo?
façavor de ir gemer pra lá.







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oh, azar. então li a outra toda, ou melhor, a uma. ok, a única, que eu nem lá, nem cá, estou. toda, toda não, mas aquilo tudo. é, o quase nada que tinha para ler. não deu pra saber muito, mas deu para inventar bastante. e meu desconfiômetro alerta que é hora de deixar de treta, puxar a trela e me retirar, para não correr o risco de eu também me apaixonar.








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Quinta-feira, Abril 14, 2011



Parabéns, mãe!!






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Sábado, Abril 09, 2011






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Quinta-feira, Abril 07, 2011


Alô, vô? Aqui é a Amana, falando de Portugal. Eu tenho tanta saudade de tudo e tanta vontade de estar aí, que às vezes até acho que estou, acredita? Eu tenho aprendido muito, mas vejo que ainda tenho tanto o que aprender... É assim mesmo, né? Descobri umas coisas aqui tão boas para a gente falar que davam dias e dias de conversa. Fiquei imaginando, dia desses, você me contando dos seus pais, avós, bisavós e a prosa encaixando direitinho com as coisas que eu também tenho para contar daqui. Acho que vai gostar. Olha, o senhor tinha razão, finalmente eu entendi, os sonhos são todos de ouro, não é isso? Então. Devagarzinho eu vou chegando...
Muito obrigada por tudo! E quando digo tudo, sei que compreende o que quero dizer. Bom, o senhor já chegou até aí, onde eu também quero chegar, mas enquanto não nos encontramos, muito bons sonhos, meu vô Chiquito.
Tenho um beijo guardado para você, aqui comigo. Até breve.











querendo se incomunicar...


Sou perseguida política em um país surreal onde o presidente, quase um rei, é o ator Guilherme Karam. Estou presa porque apanharam uma fotografia de um time de futebol em que eu havia escrito umas ofensas em uma língua que ninguém ali, nem eu, sabia decifrar, mas estão certos de que aquilo é inadmissível segundo suas normas e que por isso estou condenada à morte num caldeirão fervente de água, óleo e miúdos de animal, que eu mesma tenho que preparar para cumprir minha sentença. Meus pais e familiares estão presentes, muito mais novos do que são na realidade. Eu desesperada, mas não querendo deixar transparecer, pergunto à minha mãe se estão fazendo tudo o que podem para me tirar daquela situação, ela diz que sim. Eu a vejo falar ao telefone com alguém na embaixada e tento manter a calma, enquanto vou colocando tripas, corações e outras coisas para ferver. O tempo passa nessa situação angustiante. Telefonemas, debates, apelos ao presidente Karam, irredutível, porém muito calmo e simpático. É tudo apenas uma questão de se cumprir a lei, nada pessoal. O momento da execução se aproxima e a ansiedade já não pode ser contida. Começo a implorar por clemência, a gritar que é um absurdo eu ter que entrar numa caldeira a ferver por conta de uns rabiscos, que aquelas leis são as mais imbecis que já existiram e que o senhor presidente é um grandissíssimo filho da puta, enquanto dois homens me arrastam até um banco em que tenho que subir para depois entrar na água como melhor me convir. Apelo ainda, aos berros, por um revólver, pelo amor de deus, que estou com medo tanto medo da dor que não consigo me mover, mas ninguém diz nada. Rodeada de dezenas de pessoas em silêncio, parada em cima do banco sem saber o que fazer, vejo minha mãe se aproximar, chorando resignada a sua impotência. Ela me passa a mão na cabeça e diz pra eu não me preocupar, que ela e meu pai me jogarão lá dentro, para que meu sofrimento seja o mais breve possível. Desço do banco numa espécie de transe e deixo-me ser carregada pelo meu pai, mas assim que ele me ergue nos braços, meu coração dispara tão forte que o pesadelo não resiste e morre.










querendo se incomunicar...

Terça-feira, Abril 05, 2011


essa noite foi um pesadelo vestido de noiva
boníssimo para me acordar ainda a tempo

sem cerimônia, desejo-lhes bons sonhos
como um pedido oculto de desculpas

meu presente, minha ausência
respeitosamente



O ciúme - caetano veloso. grande encontro.







querendo se incomunicar...

Quinta-feira, Março 31, 2011


Qualquer mar(ço) é demais para mim.

Sozinho nesta ilha o tempo passa a flutuar, feito as bolhas de sabão e sonho que estouro antes de sair da cama. Eu já fui mergulhador, agora já nem sei brincar na espuma sem ter medo de afogar. Tenho medo de afogar porque nunca mais vem ninguém me resgatar, porque o meu amor diz, mas não vem. Eu olho seu retrato na esperança de encontrar qualquer dia, num brilhar de olhos, a saída que não seja o mar, mas há mar pra todo lado, amor, dentro desse seu olhar. Então como é que vou fazer pra me salvar? O desejo que eu tenho, você tem. Não posso só mais essas águas navegar, se o mar de medo é meu e seu também.




querendo se incomunicar...

Terça-feira, Março 29, 2011


Por favor, não me venha com boas noites.


Lula Queiroga - Noite Severina







Eu quero falar de mim. Eu não tenho defeitos. Exceto aquele, ou melhor, este aqui, bem aqui, me espetando embaixo da costela, como que cobrando uma dívida, sempre. Tirando isso não digo a palavra perfeição, porque a odeio, assim como odeio boléia, biombo e Lorraine, mas só por isso, senão diria. Digo antes natureza, que está muito acima, em entendimento, do que qualquer palavra que já de cara é, depois de dita, um pouco menos do que era, já que nunca consegue uma representação realmente decente. Eu não sinto nada por você se você não estiver bem perto ao ponto de eu poder te ver ou sem se pronunciar de alguma maneira não visual. Eu posso até amar você sem você existir, desde que eu te veja ou te sinta ou ainda, que sonhe com você. Uma noite dessas eu passei inteira aprendendo coisas, coisas que eu sabia que seria importante colocar em prática depois, mas por mais que eu tentasse e eu juro que tentei, não conseguia acordar para anotá-las e acabei esquecendo tudo na manhã seguinte. Enfim, esqueça também. Agora tente advinhar se eu sou um homem um uma mulher. Duvido que consiga. Eu nunca ousei me fazer esta pergunta. Afinal, como pôde a humanidade ser tão pobre neste sentido? Como pôde alguém classificar um universo inteiro em apenas dois gêneros? Como posso eu, depois de entender o erro, que é este e todos os outros inúmeros erros de julgamento, continuar vivendo sob a pseudoégide indestrutível dos mesmos, sem desejar a morte pelo menos uma vez? Não há absolutamente nada de mal nisso. Aliás, não há nada de mal. Ora, experimente. Enfie seu dedo mais grosso em seu próprio umbigo, pressione, imagine-se indo buscar a resposta, tocar na resposta, sem precisar pegar, colher, acumular. Esqueça seu polegar opositor. Você é um cachorro, caralho! Faça isso também por você. Olhe para qualquer cachorro e se reconheça. Você acha o que? Que algum dia houve uma matilha de poodles selvagens correndo livre e carnívora pela floresta? Não houve. O poodle é você, seu filho da puta! Admita! Sabe, eu nunca vou me matar, nem no último dia, embora eu meça tanto a distância do último ao chão, a velocidade do trem que não pára no apeadeiro, a força dos meus punhos e o ódio das pessoas. A morte é um defeito terrível e eu não tenho defeitos. Exceto este.






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Segunda-feira, Março 28, 2011


Essa tarde,
já resolvendo ter
nem filho mais não
-a cabeça a bater
de um lado pro outro-
e trilhando firme
a não-vontade
em contramão
do que devia ser,

sem querer pensar nos ses
que não foram nunca mais,
só no que foi e ainda vem
-apesar da pressa-
lento e certeiro,
(res)senti:

Esse suspiro doído não adianta
e nem retarda
nada

Mesmo o que mais importa,
já não mais, numa fração de

Passou.

Caminho por este paço
deslumbrada, tentando
descobrir que serventia
terá, além das óbvias,
comigo dentro. Pelos
corredores entro e vago
rica, dona, tonta, enxergando
para frente só até onde posso.

Servirá ainda para os peixes
de alimento?

será um pé de pássaro
outro dia?

um cabo de faca,
uma tira de sandália
uma ponta de osso?






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Quarta-feira, Março 23, 2011


um grande cachorro grande e um pequeno cachorro grande, dou-lhes pão pelo vão da grade. ao grande cachorro grande, um pedaço pequeno e bem longe, ao pequeno cachorro grande, um pedaço grande e na boca. o cachorro pequeno mastiga devagar e não se move, o cachorro grande vai lá, engole e volta num instante, encosta o peito forte na cabeça do mais fraco, com olhos fixos na opressão e o pedaço grande e já mole do pequeno cão desliza-lhe bocabaixo sem chegar ao chão, pois é engolido antes disso pelo dono do portão.






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Terça-feira, Março 15, 2011


Dia do circo




Parabéns aos respeitáveis fundadores dessa trupe, por tanto tempo firmes nos malabrismos e contorcionismos!
Parabéns a toda nossa companhia, que completa hoje 31 anos de espetáculos!
Saúde, equilíbrio, fé e alegria para nós todos, que já somos mais que cinco neste picadeiro.

Força aí, velhinhos!!! The show must go on!

=)



hehehe.. é realmente muito apropriado que meus pais tenham se casado justo no dia do circo... rsrsr



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Segunda-feira, Março 14, 2011


ouvindo agora


do arnaldo antunes com o jeneci - quarto de dormir



agora é quase daqui a pouco,
antes disso passou agorinha,
meia-noite e já não é amanhã
no fim da tarde é igual à noitinha
mês que vem é só até vir
fim do ano é só começar
madrugada já é de manhã
outra fome e já é o jantar
e bem antes que se alcance
o antecipar do depois
instantâneo, num relance
qualquer será já se foi.




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Sexta-feira, Março 11, 2011





é impressionante o quanto a gente ainda aguenta depois que já não aguenta mais.












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Quinta-feira, Março 10, 2011




Não tem jeito.


Alceu Valença - Coração Bobo



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abri os olhos, forcei bem a vista pra ter certeza e tive, tinha um punhado de anjos sobrevoando a minha cabeça, no meio da madrugada. a luz do poste que passava pelas gretinhas abertas da vedação deixava-me ver quase só a silhueta deles, mas não tinha outra hipótese, eram mesmo anjos. cobri a cabeça porque a falange começava agora a irradiar um brilho amarelo e mal terminei de pensar que só faltava haver música, já se podia ouvir o tilim das harpinhas. eu queria ver mais, interagir, quem sabe, mas tinha um sono impossível de controlar. dormi, mais que dormi, apaguei, embalada pelo som e o cheirinho bom que exalavam. então sonhei com uma clareira na floresta e um homem que na verdade era só um menino muito grande, que estava arrancando flores do chão e apresentou-se como Serafim. aí eu perguntei "Serafim não é nome de anjo?" e percebi logo que estava num sonho, pois me lembrei que do outro lado estavam os anjos a me embalar. senti-me bem desperta e resolvi abrir os olhos de repente, para surpreendê-los fazendo alguma coisa, mas acabei pulando dois sonhos de uma vez... acordei no meu quarto sem anjos, com a janela sem vedação e a luz do poste dando-me direto nos olhos.







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Quarta-feira, Março 09, 2011


Ousando cantar canções, sentindo firme a paz do depois, soprando a brasinha que ficou


Vinícius por Elis - Marcha da quarta-feira de cinzas





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então foi que houve este contraste tão forte e agora estou sentindo bem o estar no centro - um pé no claro, outro no escuro e meu meio bem no meio, na penumbra agradável que não há - coração, estômago, intestinos, cérebro, boca e útero, compreendendo a disparidade que nunca foi tão clara. e agora há uma ânsia de fazer valer, uma ânsia que é quase paz, apesar da morte sempre ali, irritante, me olhando de esquina. eu não sei o que vou fazer com isso, agora que tenho isso, esse corte sagital. eu não te amo. minha alma não vaga por onde vaga a sua. no fundo não somos sequer vizinhos. vamos nos matar qualquer dia desses. a violência é este dia passando depois de todos os outros. violência é amanhã ser igual. eu te vejo atravessar o corredor pelo ângulo fino de porta que sobra entre nós e você vai rápido, pretendendo-se invisível, tomar o banho e sonhar sozinho com o amor, eu sei. meus suspiros não trazem saudade nem ciúme. essa noite passei toda a sonhar com cãezinhos bebés, assim mesmo, com este acento português e com outras coisas que me dizem muito ao ventre como uns peixes a me fazer festinhas à barriga dentro d'água, meu corpo ainda fino como já fora e queimando de objetividade; meus olhos certos no olhar-se para dentro e para quem, os peitos ao sol intumescendo com um pensamento leve de paixão correspondida e depois de leite, de repente, mais e mais; duas crianças nuinhas e ensolaradas, brincando com a água na relva - cãezinhos bebés à volta, risos altos - correndo molhadas para mim a gritar a muita fome que sentem, mais o medo que me toma, instantaneamente, de morrer ao abrir os olhos encharcados deste lado, já consciente de estar num sonho. sobressaltado, desejando estar tão mais para lá do que para cá, com esta nitidez toda me afogando ao avesso, meu corpo ainda está aqui, enorme e bruto como os dias a passar e meu desejo carente de autoconhecimento, desgovernado, sem saber para onde ir.



(sampaio - mar/11)






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Terça-feira, Março 08, 2011



Para lembrar que eu não esqueci


Marcelo Jeneci - Pra Sonhar





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Segunda-feira, Fevereiro 14, 2011


(...)"Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que corre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.
"(...)

Drummond







Feliz dia de São Valentim para quem também pulou, caiu, se estrepou, mas não morreu.



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Para ajudar a passar...


Ave Maria da Rua - Raul Seixas






Já vai passar.





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Terça-feira, Fevereiro 08, 2011







A rua de terra virou asfalto. Antes, minha vó tinha que a molhar com a mangueira para a poeira vermelha não entrar em casa. Nessa época, por causa da terra e do chão com vermelhão, demoravam-se dias até que os pés voltassem à cor natural, depois de terminarem as férias. Minha vó tinha o Tutu, um pequinês amarelo e mal encarado que só gostava de mim nas primeiras horas em que eu chegava, depois desgostava, danava a rosnar se eu chegasse perto e até precisou me bocar umas vezes, pelo meu atrevimento. Ele morreu atropelado quando chegou o asfalto, pois manteve o hábito que tinha de se esticar para dormir no meio da rua onde os carros, antes, passavam devagar por causa dos desníveis e buzinavam pra ele sair da frente, se já não tivesse dado conta de estar atrapalhando. Minha vó o enterrou no mesmo terreno em que enterrava os umbigos dos netos e nunca mais teve um cachorro, que eu me lembre. A casa da Valdéria ficava embaixo de um barranco do outro lado da rua, descendo por uma escada de barro. Na sala dessa casa havia um quadro enorme da Santa Luzia olhando muito para cima e com outros dois olhos num pratinho dourado, olhando muito para mim. Eu sabia que aquela era a Santa Luzia porque meu vô Zizi me tinha mostrado uma igual, que trazia na carteira junto com um 3x4 do Gugu. Eu tinha medo dos olhos no pratinho da santa e achava que eles tinham alguma ligação com o "olhinho de boi" que minha vó usava como pingente para dar sorte. Nessa sala também tinha uma televisão grande, da marca Telefunken - do que eu me recordo bem, porque gostava de ler essa palavra - a preto e branco, com uma tela cintilante que se colocava por cima para a imagem ficar "colorida" como que com algumas nuances de RGB às listas verticais, que era muito estranha, pois não fazia sentido algum. Muitos anos depois, a tapera virou um casarão e já não havia barranco. Os filhos da Valdéria foram para os Estados Unidos e mandaram o dinheiro para a reforma. Eu não me lembro deles, só da Lu, a mais nova, que tinha sempre muita paciência para brincar comigo. Ela ficou com a mãe em vez de seguir com os irmãos e arranjou 2 ou 3 meninos muito bonitinhos, não sei de quem, uns anos depois da vida melhorar.






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Quarta-feira, Fevereiro 02, 2011






Odo Iyá!









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Quarta-feira, Janeiro 19, 2011


admirando os veios de uma folha qualquer, como os degraus de uma escada qualquer, como os vincos de uma cara qualquer, como os tiques de um corpo qualquer, como o desenho nas ondas das águas de um rio qualquer, como a fila de carros de uma rua qualquer, estou, meio adormecida, de tanta maravilha. acreditar é fácil, compreender é fácil, mas ocupa todo o lugar. o meu lugar sou eu, adormecida, de tanta maravilha, ouvindo ainda o primeiro verbo, o do início, que ainda não terminou de ser dito, prestando muita atenção, tentando prever o final. o meu fim sou eu, despida, desprovida de qualquer medida, adormecida em meio à fantasia, de tanto ver. eu só vou acordar no último dia, somente para me despedir, nem sei de quê.





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Quinta-feira, Janeiro 13, 2011


ela sabia tudo, mas trocava, de propósito, o sentido das frases antes de falar. mudava também os móveis de lugar, como se fossem de papel, monstros a voar pelo salão até pousarem onde ela queria. eu ali, imóvel, infantil, admirava a magia em silêncio total. ela, ali, movimentando-se esvoaçante e vestindo apenas uma saia, já vestia a razão inteira, para mim. pobre de mim, que só observava, que só podia observar. quem dera eu soubesse dançar aquela dança, quem dera soubesse ser aquele corpo também, quem dera toda aquela substância agarrada à minha pouca existência, eu desejava, mas não sofria, pelo contrário. aquele não era, antes, um gigantesco sim a chicotear-me o couro e mesmo se eu saísse muito machucado, ainda assim, era muito melhor do que não poder estar ali, vidrado de prazer e de presença, tocado, contaminado, transformado em outro, muito maior.





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Domingo, Janeiro 09, 2011



ontem eu comprei um violão.
vai ser bom.





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Sábado, Janeiro 08, 2011




as portas todas agarram, inchadas de umidade. eu sinto muito.
o incômodo é nauseante. morro bem antes ou morro nunca mais.
nessa idade eu já devia saber aproveitar melhor os minutos.



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conhaque travesseiro

todos, éramos cinco, numa barraca para dois, armada em um cômodo emprestado de tapera, reinando enormes um feriado na vila minúscula. o tempo era todo. dois machos e três fêmeas. eu e ele, ainda que em pontas opostas, éramos mais ou menos um casal, mas na cabana não havia sexos nem relevâncias nem sãs consciências. eram sim, esses outros quatro, então, as melhores pessoas da minha vida, com quem pude dividir, satisfeita, elevadíssima, três noites flutuantes numa barraca para dois, uma garrafa e outras de um conhaque doce e um sem-fim de casos gargalhados quase surreais, com personagens que me custa, ainda hoje, crer que existam e mais chãos e pés e chás e cães e desatinos e desastres e nós e nítidas visões e quedas e enganos e paisagens cintilantes e trilha e água e poço e pulos e ácidos encontros e chamados e cantos e passagens e outros muitos passadeiros que não cessam de aumentar, me fazendo inteira rir, aqui sozinha, no travesseiro mais distante, enquanto não dorme a memória, que aliás já deixa claro, comovida e relutante, que dormir essa noite é simplesmente sem chance.






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Domingo, Janeiro 02, 2011


Oh! Dia 1/1/11 já passou e eu quase nem vi...

1º beijo: Paulo. 1º abraço: Paulinha. 1ª bebida: champanhe. 1ª comida: salgado da Itaipu. 1º paioso: Chesterfield Light . Só para constar...




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Sexta-feira, Dezembro 31, 2010


Para o amigo velho e o amigo novo, saudando saudade e futuro na mesma reverência.


Passando Portas - Luis Gabriel Lopes


haja luz, haja encontro, haja amor

e haja tempo para tanto






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eu tentava salvar o casamento de uma moça morena que estava acontecendo no segundo andar. eu e mais ninguém. havia bandidos, gente má, não sei qual era o plano. de repente, queriam quebrar meu computador e uma mulher mais velha que morava no 1º andar, no mesmo quarto que eu e estudava muito no seu cantinho cama-biblioteca, me ajudou a escondê-lo. deu certo, mas acabei apanhando. três homens me bateram muito forte e levaram-me para a rua. gritei por socorro e nada, gritei pelo meu pai, que estava no casamento, mas depois me arrependi, porque em um segundo ele estava lá embaixo para me ajudar e um homem muito gordo torceu sua mão. finalmente a taquicardia e o nervosismo dessa cena começaram a me acordar. fiz de tudo para voltar, agora que sabia que era sonho, mas não consegui porque comecei a ouvir um barulho estranho vindo do corredor da minha casa, que se manteve até ter a certeza de que estava lúcida e parou assim que me levantei para ver o que era. ainda procurei, mas não achei, então resolvi me levantar antes das 6 e dormir mais um pouco só depois que clareasse o dia, por precaução. hoje é o último dia do ano e não tô nem um pouco afim de levar com assombração.



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Adeus, década. Já vai tarde.




...




os meus amigos estão espalhados pelo mundo. já estavam, antes de se moverem, assim como eu, que não sou de lugar nenhum. mover-se é ir ao encontro, mesmo que seja mover-se para dentro. quanto mais longe estamos uns dos outros, de alguma forma, mais nos encontramos. eu ando aqui por essas ruas descobrindo os duplos dos meus queridos de sempre, que se esquivam da minha curiosidade, mas se denunciam numa clareza de olhar, numa mão, num tique de boca, numa sílaba. vejo caras conhecidas em completos desconhecidos e sinto desejo de voltar, assim como de alçar voo, ambos impossíveis. embora acredite um dia tornar-se cabível, quando já gozarmos de uma ciência avançadíssima que nos permita fazê-lo, voltar não existe. não. com muita dificuldade, que há de ser vencida, posso meter o que couber na mala, desfazer do que foi feito e ir, mas em frente, apenas em frente, em direção ao que já não me espera, ao que já é muito menos e muito mais do que era, para um mundo tão novo para mim quanto este aqui, quando cheguei. seguir para o instante de onde saí, nunca, ele não está mais lá. ainda serão anos, talvez milênios até que descubram como fazê-lo e então, mesmo se pudesse presenciar o feito, o que chamo hoje de meu lugar, na memória, num momento de saudosismo sem-lugar, seria apenas uma poeira ínfima num universo de esquecimentos, porque nem eu, se perguntada (e não seria), saberia explicar para onde, para que endereço ou o segundo preciso deste destino que já foi, é que eu gostaria de voltar, se até lá me quisessem levar. acordo. é sempre aqui que eu vou estar, aqui e neste momento (não importa quanto tempo passe, quanto mundo gire sob meus pés, quanta gente minha siga em frente ou em quantos pedaços esteja feito meu pensamento) com os amores todos dissolvidos pelo mundo, captando-os pelas bordas dos sonhos, para dentro.



Esquadros - A. Calcanhoto







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Quinta-feira, Dezembro 30, 2010


"Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias
e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias."
(Pessoa)







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Segunda-feira, Dezembro 27, 2010


eu gosto um pouco de fazer silêncio. às vezes, quando tenho é que falar. depois, quando quero falar, pode ser sozinha, eu não me importo, embora fosse bom me importar. faço-me boa companhia, não esquento com solidão, até gosto, muito até, mais até do que devia, mas quando eu quero estar mais que ao meu lado, piro. invento gente, se não tiver jeito e quem chegar eu aceito, venha com o assunto que vier. quando meu silêncio berra, vejo todo mundo perto, passando do peito para os olhos, para o cheiro, para os abraços delirantes, embolados de sentimento. um milhão de instantes num meio segundo, que eu bem aproveito. tantos anos longe e eu me aguento, porque dentro tenho um mundo a postos, pra dar sempre um jeito.









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Domingo, Dezembro 26, 2010


sonho que tenho um cão e o amo muito. porte médio, branco com pequenas manchas e orelhas pretas, peludo. fala. somos amigos. estamos conversando e passando apressados por um atalho que estou reconhecendo, talvez de uma outra estada. seguindo pelo muro vermelho que dobra a esquina, recordo-me, então, muito bem, pois foi aqui mesmo que presenciei uma guerra de balões d'água, noutra história. continuamos no passo apertado rua acima, contornamos o quarteirão irregular, passamos pela praça. adiante, numa rua escurecida pelas árvores, no meio de uma parede de chapisco, paramos num portão que me lembra o da antiga casa da minha prima talita, na angra dos reis, mas entrando, descubro que depois desse muro e portão não há casa nenhuma, nem nada, apenas um espaço estreito que os separa de uma montanha de face cortada muito verticalmente, lisa, com o laranja de sua pedra à mostra sob a luz amarela de uma lâmpada acesa. rente ao chão batido, uma placa de madeira fina amarrada pelas quatro arestas em quatro subdivisões de uma corda suspensa por uma roldana, cuja outra ponta pende, em balanço, à altura do meu nariz. o cão entra pelo portão logo atrás de mim, põe-se em cima da madeira e pede que o puxe para cima, até o fim. assim faço. lá no alto, o cão entra por uma fenda na rocha e desaparece. volto com a madeira até chão, espero um pouco e percebo que ele já não está mais por perto e que não virá, mesmo se o chamar de volta. sinto horror. durante muito tempo, debato-me no cubículo, tentando arranjar um ângulo que me permita ver essa tal passagem e nada. cansada e sem ter o que fazer, decido sonhar outra coisa, possuída que estou pela raiva de ter sido abandonada.

muitos conflitos, ansiedades e correrias inverbalizáveis depois, reencontro meu cachorro. fico feliz, apesar de estar ainda chateada. sinto-me muito fraca e sonolenta. tento contar-lhe do estive fazendo na sua ausência, mas só me vem à memória alguns flashes desconexos de estar carregando uns quadros grandes em tinta azul, da presença nebulosa de umas pessoas que não identifico e de uns seres que pareciam ora bonecos, ora animais. confusa, prefiro não falar. então, com um olhar muito sério e repressor sobre meu ar alterado, meu cão me conta, muito calmamente, que esteve todo o tempo a rodar um filme. enquanto meu amigo fala, a descrição de sua atividade e do cenário onde se encontrava, vai criando elos entre minhas estranhas recordações, que, aos poucos, elucidam-se. espantada, faço-me crer, por fim, que estivera também a participar desses momentos, mas como se sob o efeito de alguma coisa que me impedia de controlar minhas ações e pensamentos, totalmente alheia ao fato de estar sendo filmada.







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Sábado, Dezembro 25, 2010


Ah, o natal...

feliz natal. é, feliz natal. feliz... natal... é... feliz natal. feliz natal. assim, feliz. natal feliz. felis natau. bem felis. natau. feliz natal. pra você, feliz natal.
muito feliz. feliz, feliz, feliz, tanto que vai parecer natal de tão... feliz. natal! feliz natal. mais um feliz. mais um, mais um, mais um natal. muito feliz.



eu paro ( . ) num instante imediato entre o se e a aceitação. é o único lugar onde a dor não chega. o pensamento não pode conceber este lugar, que é terra fértil apenas para sementes-sentimento, apenas para o que não foi ensinado nem moldado, para o que não nasce nem morre. sem pensar vejo tudo, compreendo tudo e nada me falta. num instante, ninguém se foi e eu mesma nunca partirei, cuspindo ressentimento de injustiça. não há amargura nem culpa nem terror nem tristeza. o que sinto aqui não me é possível sentir em outro lugar, não tem nome, nem humanidade. tranquila, vejo outros seres que não me cabem compreender, analisar, temer, julgar. entrego-me para sentir - da forma como sentia antes de conhecer meu primeiro medo - que para lá deste aquário, outras tantas águas há. outros rios, outro mar, outras entranhas. outra imensidão de espera em gestação, concebida em outra forma de inteligente inexatidão, outros infinitos ses em eterno conflito, insondável continuação.




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Sexta-feira, Dezembro 24, 2010


"Papai Noel,
vê se você tem a felicidade.

Pra você me dar."









o mundo é lugar de todo mundo. e quase todo mundo cabe nele.
mas esse quase sendo de um tamanhão, que é quase todo, quase mesmo.
por causa disso, quase tudo nesse mundo, tem um par cotovelos.






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Quarta-feira, Dezembro 15, 2010


Silêncio (para não espantar os peixes).



Para ver as meninas - Paulinho da Viola









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Terça-feira, Dezembro 14, 2010


tem calma, vai passar, vai passar. o sufoco já vai passar. vai passar muito mais que isso , vai passar. vai passar navio, vai passar, vai passar tragédia, vai passar, vai passar, vai passar ventania, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar dilúvio, vai passar, vai passar. vai passar rodovia, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar tufão, vai passar, vai passar poesia, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar trovão, vai passar piscando. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, nevoeiro, vai passar a nuvem, vai passar o limbo, vai passar a dor, vai passar mais não, vai passar pra frente, vai passar senão. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar riacho, vai passar estação. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. até o que nunca passou vai passar, vai passar, vai passar de vez. vai passar a sua vez, vai passar a minha vez, vai passar pra sempre. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, com alguma sorte, vai passar. o amor também vai passar. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar essa lua também. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar tudo mais vai passar voando. vai passar zunindo, vai passar brincando, vai passar passando, vai passar o encanto. num instante, vai passar. vai passar corrente, vai passar enxada, vai passar viola, vai passar cardume, vai passar semente, vai passar virada, vai passar pistola, vai passar ciume, vai passar poente, vai passar estrada, vai passar o vento para apagar o lume. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar... vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. vai passar. a ordem vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passa,r vai passar, amor vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar correndo vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar, vai passar o tempo todo vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar num raio vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vocêvai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar friovai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar tremvai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar segredo vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar amor vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar da hora vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar a vontade de matar vai passar o desejo de morrer vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar a curva vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar amor vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar esmero vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar medo vai passar vai passar vai passar vai passar espera vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar vai passar a morte e tudo, tudo mesmo vai passar, pode esperar.







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Domingo, Dezembro 12, 2010


isso é tudo que vc me dá.
o que não quer dizer que não me dê tudo o que tenha para dar.
não vou dizer que seu tudo é pouco, nunca, eu não poderia
mas é que é muito diferente do tudo que eu pensava que queria,
ou do que eu conseguiria, alguma vez, imaginar.






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Sábado, Dezembro 11, 2010


amor comprimido

tanta água já passou
e tenho a nítida impressão
de o trazer ainda, aqui
atravessado na garganta




Kassin+2 - Agua



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Quarta-feira, Dezembro 08, 2010


Ave, Maria! Ave!

Dai-me, senhora, a conceição da verdade.
Dai-me, senhora, a conceição da paz.
Dai-me, senhora, a conceição do amor.

Amém.






Mural dos Orixás - Oxum, de Carybé




querendo se incomunicar...




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